Entrevista com Eduardo sobre Simpatias

Entrevista com Eduardo sobre Simpatias

 Na semana da simpatia no primeiro grupo da CECP VIRTUAL, foi feito algumas perguntas ao Eduardo Henrique Costa, sobre seus pontos de vistas quando o assunto é simpatias. Algumas delas vocês poderão conferir abaixo:

 

- Eduardo você acredita que magia existe?

- Eu sou o que afinal? Eu sou praticante de magia desde pequeno, sempre aprendi que magia nunca teve cor e estes adjetivos foram criados para que de forma didática pudéssemos melhor classificar ou categorizar os tipos de magias e suas finalidades. A magia nunca foi do bem e do mal, esta separação foram feitas pelas pessoas que quiseram separá-las somente para dizer "eu sou feiticeiro do bem" e vise e versa. A verdade é que o que os nossos antepassados chamavam de magia, hoje na maioria das vezes chamamos de ciência.

 Toda prática de direcionar energias para tais finalidades é o que eu chamo de magia, que seria um resultado de uma utilização de energia vinda de uma força inteligente que a executa (sendo visível ou invisível).

- Acredita em simpatias?

-  Como eu não poderia acreditar? Seria antagônico da minha parte praticar magia, acreditar em magia, ensinar magia e no final dizer que não acredito em simpatias. Magia é magia, mesmo sendo ela sacerdotal, tradicional, popular, religiosa, enfim. 

 O que acontece que sempre digo é que eu não costumo fazer simpatias, mas isto não quer dizer que eu não acredite ou ache ela algo ruim. A simpatia nada mais é que uma forma de magia básica, costumes populares ligado a sorte, podemos perceber que o objetivo da simpatia é sempre combater a má sorte, seja ela nos relacionamentos amorosos, numa empresa, numa vida sexual, entre outros tipos.

Também jamais diria que simpatias não fazem efeitos, que meus parentescos fazem muito e acreditam muito, mesmo a maioria sendo "evangélicos" e mesmo assim obtém grandes resultados extraordinários. Mas o que podemos perceber é que tradicionalistas não tem o costume de fazer simpatias, porque a simpatia não tem como objetivo seguir uma egrégora central, não é algo voltado a uma tradição em específica. 

Quem se baseia muito em oráculos para fazer tais magias não costuma fazer simpatias, porque simpatias costuma ser receitas prontas que são passadas, é como você chegar hoje em um restaurante e você gostar da minha comida e eu dizer que o segredo é tal tempero que fazem todos amar, daí começa passar de um para outro aquilo e assim funciona as simpatias, são como receitas de bolo, porém são ligadas as crenças populares e costumes.

No Brasil por exemplo existe uma imensa diversidade cultural, percebemos que as simpatias se misturem entre crenças indígenas, africanas, entre outros demais tipo. Até mesmo na China e no México se tem muito o costume de simpatias, o que se deve fazer para ter sorte e o que não deve fazer para não atrair a má sorte. A diferença é que simpatia é algo universal ligado a magia e os costumes populares, não dependendo que a pessoa seja iniciada em uma vertente ou tenha tal cargo, daí surge muitos preconceitos de muitos em dizer que simpatia "é algo bem fraquinho" e muitos costumam até mesmo condená-la dizendo que é palhaçada. Só que como direi que ela seria palhaçada? Só porque eu não pratico, não quer dizer que não funcione ou que seja algo ruim, mas se eu tenho o costume de consultar oráculos para traçar através dali uma magia e indo montando, automaticamente eu não seria "simpatizista".

- Por que alguns não tem resultados com simpatias?

- Seria pelo motivo dela ser uma receita pronta e passada de um para o outro, muita das vezes tal receita não se aplica exatamente ao tipo de gravidade ou caso que se tenha, além de tudo poder influenciar, como por exemplo: vestimenta, local onde faz, preparo antes, como se comporta após, a fé que se tem, se houve algum pedido a uma crença em específica na receita, se seguiu a receita por completo, o horário que fez, o dia da semana em que fez, porque tudo influencia. 

 

- É difícil de encontrarmos simpatias atualmente?

- Eu defendo a seguinte tese: "quanto mais problemas existir no mundo, mais fé em nossas crenças teremos". A fé sempre responde em nome dos ausentes. E não é tão difícil de vermos pessoas fazendo simpatias, repare quando a noiva esta saindo com o noivo do casamento e aquela prática de jogar arroz no casal, repare por exemplo pelo mundo que verá costumes comuns ligados a um país que são práticas de magias, por exemplo quando se enterra uma pessoa e não se pode entrar em a roupa que foi ao cemitério ou sapatos dentro de casa e tem que trocar de roupa do lado de fora, muitos nem se quer seguem religiões ou tradições que tenham estes tabus, mas é um costume popular. Um exemplo é a quaresma, muitos não são católicos mais fazem tais práticas na quaresma que muitas delas são simpatias. Então simpatias é o que eu chamo de magia popular ligada ao povo.

 

- Para encerrarmos mais uma matéria da semana das simpatias, deseja fazer suas conclusões finais?

- Encontraremos muitas religiões e culturas, principalmente pessoas místicas e esotéricas fazendo muito simpatias, principalmente na cultura cigana e quem a segue, principalmente por muitos católicos. Eu re-afirmo bem claro que pessoas que acreditam em magias não tem como não acreditar em simpatias, elas podem até não gostar de fazer, mas é antagônico a magia sendo uma apenas acreditar e não acreditar. Magia é magia, sendo de forma simplista, de forma receitária ou de forma passada popularmente no dia a dia, mas não deixa de ser magia, então eu reitero que acredito em simpatias porque eu acredito que a magia existe e eu a pratico, se eu não acreditasse que a magia existe consequentemente eu não acreditaria em simpatia. 

Eu acredito sim na magia, sendo ela popular, simplista, sendo ela de forma tradicional ou religiosa. É claro que na maioria das vezes as simpatias não se aplicam em questões religiosas ou tradicionais, mas sim em questões populares vinda da cultura e crendices de um povo.